26 de abr. de 2007

tecnologia jovial.

Jovens endeusam a tecnologiaA psicóloga Marilda Lipp é uma das profissionais mais respeitadas quando se fala de estresse no Brasil. Presidente da Associação Brasileira de Stress, ela também é diretora do Centro Psicológico de Controle do Stress, que tem dez unidades no País.Segunda-feira, 09 de abril de 2007O tecnoestresse é algo apenas atual ou sempre existiu?

Antes era algo esporádico, agora é muito comum. Ferramentas tecnológicas sempre existiram em nossas vidas, mas hoje a velocidade de informação é tanta que qualquer pessoa pode estar suscetível ao tecnoestresse.

Qual é o perfil da pessoa tecnoestressada?

O que a gente vê são dois fenômenos. Primeiro, aqueles que têm dificuldades em aceitar uma nova tecnologia. São pessoas mais velhas que não conseguem se adequar a uma nova tecnologia ou até se recusam a aprender o novo. Tenho um paciente de idade, cujo trabalho exigiu que ele aprendesse a fazer planilhas no computador. Ele ficou muito ansioso e nervoso, pois durante toda a sua vida apenas fez planilhas manualmente. Em segundo, vêm os vidrados nas tecnologias mais modernas, que exageram no seu uso e consomem aquilo que for de mais novo e hi-tech. Dentro dessa categoria estão as pessoas que não conseguem dividir o seu tempo e são escravos da tecnologia.

Qual a diferença do tecnoestresse para as outras formas de estresse?

Ele é algo muito específico, é um estresse circunscrito a uma área: se a pessoa sair dela o estresse não irá acompanhá-la. A principal diferença é que, pela disseminação da tecnologia, ele pode atingir de uma maneira mais ampla toda a sociedade. Infelizmente, isso faz com que ninguém esteja livre do tecnoestresse.

As pessoas costumam te procurar e dizer algo como: sou alguém tecnoestressado?
Não (risos). Em geral, ninguém nos procura e diz algo assim. Só depois de uma entrevista é que se acha o foco do problema: o uso equivocado da tecnologia.Não adianta, com a tecnologia a pessoa quase nunca percebe de onde vem o problema. Geralmente acaba colocando a culpa em outros fatores.

Como tratar o tecnoestresse?

O estresse é o mal do século 21. O que as pessoas devem aprender é colocar prioridades, impor limites, saber lidar com a tecnologia. Usar a máquina sem se deixar escravizar por ela. O que está acontecendo hoje é um enorme culto ao hi-tech, sendo que a tecnologia nada mais é que uma ferramenta. Veja bem, eu não estou falando que as pessoas não devem usar algo tecnológico. Só peço o uso de forma consciente, isso sim. Ela tem seus lados bom e ruim.

Os jovens também têm tecnoestresse?

Sim, muito. Ao lado das pessoas mais velhas, eles são as pessoas que mais sofrem com isso.O problema do jovem é achar que a tecnologia é como um Deus, é que nem o ar que a gente respira.

Nenhum comentário: