Não vou falar mais nada...clique no link abaixo e descubra uma nova forma de se fazer comunicacao na era digital.
Mas antes veja esses dois vídeos que merecem destaque pelo que conversamos atualmente nesse blog.
Agora sim: www.colmeia.tv/blog
;-)
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26 de fev. de 2008
Colmeia Roadtour
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22 de nov. de 2007
Brasil é 1º mundo na internet, diz presidente do IAB
Na dica de podcast de hoje, você confere entrevista com Paulo Castro. Para ele, a internet já é a segunda maior mídia de massa no Brasil, perdendo apenas para a TV aberta.
Confira o programa.
Fonte: IDG Now!
Confira o programa.
Fonte: IDG Now!
5 de nov. de 2007
Saiba como participar da seleção da AgênciaClick
A AgênciaClick está em busca de novos colaboradores e realizará no dia 09 de novembro uma maratona de entrevistas para encontrá-los.
Os portfólios e currículos de profissionais e estudantes devem ser cadastrados até o dia 07 de novembro no site.
Durante todo o dia 09, diretores de criação e coordenadores de diversas áreas selecionarão os candidatos simultaneamente nos escritórios de São Paulo e Brasília.
As vagas envolvem os cargos de diretor de arte, redator, atendimento, programador flash e mídia.
A expectativa é de que cerca de 100 pessoas sejam entrevistadas no mesmo dia.
É a primeira vez que a AgênciaClick realiza uma seleção de funcionários neste formato.
Fonte: CCSP
Os portfólios e currículos de profissionais e estudantes devem ser cadastrados até o dia 07 de novembro no site.
Durante todo o dia 09, diretores de criação e coordenadores de diversas áreas selecionarão os candidatos simultaneamente nos escritórios de São Paulo e Brasília.
As vagas envolvem os cargos de diretor de arte, redator, atendimento, programador flash e mídia.
A expectativa é de que cerca de 100 pessoas sejam entrevistadas no mesmo dia.
É a primeira vez que a AgênciaClick realiza uma seleção de funcionários neste formato.
Fonte: CCSP
19 de out. de 2007
CEO da Adobe prevê mudanças no mercado de software online
A Adobe deveria estar tranqüila em sua estratégia online por estar presente em mais de 99% dos PCs do planeta com sua tecnologia Flash, certo? Não é assim que o CEO da empresa, Bruce Chizen, encara a crescente maturidade da web que começa a ter softwares online comparáveis às versões para PC.
Nesta entrevista exclusiva, dada poucos minutos antes da sua apresentação, Chizen aposta que a Adobe investirá no mercado de softwares online a ponto de transferir para o browser versões completas de aplicativos como Premiere, PhotoShop e Illustrator, além de já se movimentar com aplicações offline com o recente lançamento da plataforma AIR.
Por fim, o executivo ainda descarta uma possível ameaça que a tecnologia Silverlight, elaborada pela Microsoft para aumentar participação em interatividade online, faça ao Flash, responsável por 70% dos vídeos reproduzidos online. "Estamos em forma melhor", ironia. Confira a entrevista.
Algum dia haverá produtos da Adobe com todas as funções oferecidos pela internet, no modelo de software como serviço?
Sim, mas em médio prazo. Para se beneficiar da versão completa do Photoshop, a experiência de um aplicativo hospedado em um serviço não seria muito boa por causa das larguras de banda. A capacidade da banda larga ainda não equaciona com o que você consegue aproveitar do seu PC.
Você nos verá fazendo aplicações híbridas que se aproveitam do desktop, mas oferecemos apropriadamente funcionalidades online para funções como compartilhamento. Nosso aplicativo online Kuler permite que usuários colaborem usando diferentes formatações de cor e funciona junto a produtos como o Illustrator, que fica no desktop.
Isto acontecerá nos próximos anos: teremos estes ambientes híbridos para aplicativos com todas suas funções integradas. Enquanto a banda larga se torna cada vez mais poderosa, existe a possibilidade de transferir aplicativos do desktop para o servidor. Cinco é provavelmente o mínimo que teremos de esperar.
Mas a capacidade do desktop está avançando tão rápido, enquanto a velocidade da banda larga não segue o mesmo ritmo de crescimento. Mesmo que cresça a taxas assim, as pessoas trafegarão mais dados pelos mesmos canais, o que tornará mais lenta a distribuição de dados.
Você concorda que o futuro da distribuição de software está no modelo de "software como serviço"?
Eventualmente. A chave é o quanto o processo demorará. Depende do aplicativo e da velocidade da banda larga. Sou espero o suficiente para dizer que esta realidade chegará em 20 anos.
(Em sua palestra realizada logo após esta entrevista, Chizen afirmou que a Adobe veria seu modelo de distribuição de software totalmente transformado de produtos empacotados para serviços online em 10 anos).
O modelo de "software como serviço" também representa uma ameaça à Adobe caso alguns rivais desenvolvam aplicativos online completamente novos que façam frente de verdade aos softwares da companhia?
Qualquer mudança no modelo de distribuição ou modelo de negócios é um perigo para qualquer empresa como a Adobe que tem grande parte da sua renda provinda da venda de aplicativos para desktop. É nossa obrigação assegurar que, enquanto o ambiente for capaz de entregar funcionalidades completas aos usuários, a Adobe está lá antes de qualquer outra empresa.
O que fizemos na edição de vídeo com o Premiere Express, o que estamos fazendo com o Photoshop Express e com o Share e o que faremos com o PDF Creation online são grandes exemplos de a Adobe estar a frente de outras empresas para aproveitar as mudanças no cenário online.
A Adobe está em processo de aquisição da Virtual Uniquity, fabricado do serviço de processamento de texto online Buzzword. A empresa está interessada em ter aplicativos online de apresentações e planilhas, formando um pacote na internet?
Planilhas provavelmente não, mas as apresentações são intrigantes. O truque é desenvolver uma e adquirir outra onde acreditamos que somos diferenciados ao explorar a plataforma AIR.
O que nos animou sobre o Buzzword era não entrar no setor de processamento de texto online, mas demonstrar de uma maneira prática o que o AIR pode fazer, além de caber perfeitamente na nossa estratégia de Acrobat.
Você vê a Adobe competindo com o pacote de comunicações e colaboração Google Apps ou com o Microsoft Office?
Acho que (o âmago da discussão) é mais sobre oferecer o serviço para alguém que já está compartilhando documentos PDF ou protegendo dados conosco pela internet e querem editá-los ou acessá-los.
Não temos como objetivos aplicativos para edição série de textos, como faz o usuário do Office, mas para usuários dentro do nosso ecossistema, envolvidos no processo de trabalho colaborativo.
Por que a abordagem com AIR é preferível para construir um componente offline para aplicações baseadas no navegador, da mesma maneira que o Google está fazendo com o Google Gears?
Para alguns aplicativos, o browser é ótimo e ter funções para uso offline será uma grande extensão. Mas para outras aplicações, queremos controle total sobre a experiência do usuário e o navegador, para tanto, é inadequado.
É aí que queremos nos diferenciar: a habilidade para ir um pouco mais longe nas funções locais, a capacidade de arrastar e soltar facilmente arquivos do desktop para o aplicativo e vice-versa. Estas coisas seriam difíceis de serem feitas pelo browser. E, em algumas aplicações, você quer ficar completamente imerso e não limitado por um navegador.
Quais são as novas ofensivas contra o pulg-in SilverLight da Microsoft para oferecer vídeo online e gráficos interativos online, como Flash?
Parece que (o Silverlight) está tentando imitar o Flash: o player roda no navegador e foi desenvolvido para interatividade, animação e vídeo. Felizmente, começamos 10 anos antes e temos um ecossistema completo ao redor do Flash.
Estamos em cerca de 99,1% de todos os PC do mundo e em 300 milhões de gadgets móveis. Mais de 70% do vídeo exibido na internet é por Flash. Milhões de desenvolvedores e designers usam ferramentas da Adobe.
Demorará muito tempo até que a Microsoft nos alcance, acredito. No meio tempo, continuaremos a avançar com Flash e trabalharemos com o AIR. Eu levo a Microsoft muito a sério, mas estamos em uma forma muito melhor.
Fonte: IDG Now!
Nesta entrevista exclusiva, dada poucos minutos antes da sua apresentação, Chizen aposta que a Adobe investirá no mercado de softwares online a ponto de transferir para o browser versões completas de aplicativos como Premiere, PhotoShop e Illustrator, além de já se movimentar com aplicações offline com o recente lançamento da plataforma AIR.
Por fim, o executivo ainda descarta uma possível ameaça que a tecnologia Silverlight, elaborada pela Microsoft para aumentar participação em interatividade online, faça ao Flash, responsável por 70% dos vídeos reproduzidos online. "Estamos em forma melhor", ironia. Confira a entrevista.
Algum dia haverá produtos da Adobe com todas as funções oferecidos pela internet, no modelo de software como serviço?
Sim, mas em médio prazo. Para se beneficiar da versão completa do Photoshop, a experiência de um aplicativo hospedado em um serviço não seria muito boa por causa das larguras de banda. A capacidade da banda larga ainda não equaciona com o que você consegue aproveitar do seu PC.
Você nos verá fazendo aplicações híbridas que se aproveitam do desktop, mas oferecemos apropriadamente funcionalidades online para funções como compartilhamento. Nosso aplicativo online Kuler permite que usuários colaborem usando diferentes formatações de cor e funciona junto a produtos como o Illustrator, que fica no desktop.
Isto acontecerá nos próximos anos: teremos estes ambientes híbridos para aplicativos com todas suas funções integradas. Enquanto a banda larga se torna cada vez mais poderosa, existe a possibilidade de transferir aplicativos do desktop para o servidor. Cinco é provavelmente o mínimo que teremos de esperar.
Mas a capacidade do desktop está avançando tão rápido, enquanto a velocidade da banda larga não segue o mesmo ritmo de crescimento. Mesmo que cresça a taxas assim, as pessoas trafegarão mais dados pelos mesmos canais, o que tornará mais lenta a distribuição de dados.
Você concorda que o futuro da distribuição de software está no modelo de "software como serviço"?
Eventualmente. A chave é o quanto o processo demorará. Depende do aplicativo e da velocidade da banda larga. Sou espero o suficiente para dizer que esta realidade chegará em 20 anos.
(Em sua palestra realizada logo após esta entrevista, Chizen afirmou que a Adobe veria seu modelo de distribuição de software totalmente transformado de produtos empacotados para serviços online em 10 anos).
O modelo de "software como serviço" também representa uma ameaça à Adobe caso alguns rivais desenvolvam aplicativos online completamente novos que façam frente de verdade aos softwares da companhia?
Qualquer mudança no modelo de distribuição ou modelo de negócios é um perigo para qualquer empresa como a Adobe que tem grande parte da sua renda provinda da venda de aplicativos para desktop. É nossa obrigação assegurar que, enquanto o ambiente for capaz de entregar funcionalidades completas aos usuários, a Adobe está lá antes de qualquer outra empresa.
O que fizemos na edição de vídeo com o Premiere Express, o que estamos fazendo com o Photoshop Express e com o Share e o que faremos com o PDF Creation online são grandes exemplos de a Adobe estar a frente de outras empresas para aproveitar as mudanças no cenário online.
A Adobe está em processo de aquisição da Virtual Uniquity, fabricado do serviço de processamento de texto online Buzzword. A empresa está interessada em ter aplicativos online de apresentações e planilhas, formando um pacote na internet?
Planilhas provavelmente não, mas as apresentações são intrigantes. O truque é desenvolver uma e adquirir outra onde acreditamos que somos diferenciados ao explorar a plataforma AIR.
O que nos animou sobre o Buzzword era não entrar no setor de processamento de texto online, mas demonstrar de uma maneira prática o que o AIR pode fazer, além de caber perfeitamente na nossa estratégia de Acrobat.
Você vê a Adobe competindo com o pacote de comunicações e colaboração Google Apps ou com o Microsoft Office?
Acho que (o âmago da discussão) é mais sobre oferecer o serviço para alguém que já está compartilhando documentos PDF ou protegendo dados conosco pela internet e querem editá-los ou acessá-los.
Não temos como objetivos aplicativos para edição série de textos, como faz o usuário do Office, mas para usuários dentro do nosso ecossistema, envolvidos no processo de trabalho colaborativo.
Por que a abordagem com AIR é preferível para construir um componente offline para aplicações baseadas no navegador, da mesma maneira que o Google está fazendo com o Google Gears?
Para alguns aplicativos, o browser é ótimo e ter funções para uso offline será uma grande extensão. Mas para outras aplicações, queremos controle total sobre a experiência do usuário e o navegador, para tanto, é inadequado.
É aí que queremos nos diferenciar: a habilidade para ir um pouco mais longe nas funções locais, a capacidade de arrastar e soltar facilmente arquivos do desktop para o aplicativo e vice-versa. Estas coisas seriam difíceis de serem feitas pelo browser. E, em algumas aplicações, você quer ficar completamente imerso e não limitado por um navegador.
Quais são as novas ofensivas contra o pulg-in SilverLight da Microsoft para oferecer vídeo online e gráficos interativos online, como Flash?
Parece que (o Silverlight) está tentando imitar o Flash: o player roda no navegador e foi desenvolvido para interatividade, animação e vídeo. Felizmente, começamos 10 anos antes e temos um ecossistema completo ao redor do Flash.
Estamos em cerca de 99,1% de todos os PC do mundo e em 300 milhões de gadgets móveis. Mais de 70% do vídeo exibido na internet é por Flash. Milhões de desenvolvedores e designers usam ferramentas da Adobe.
Demorará muito tempo até que a Microsoft nos alcance, acredito. No meio tempo, continuaremos a avançar com Flash e trabalharemos com o AIR. Eu levo a Microsoft muito a sério, mas estamos em uma forma muito melhor.
Fonte: IDG Now!
18 de out. de 2007
Veja o making of do comercial da Renault em que carros dançam balé
Se você viu o comercial da Renault em que carros da marca participam de uma coreografia que inclui batidas sensacionais, aqui, vai gostar de assistir ao making of. O filme foi rodado na Africa do Sul.
Fonte: Blue Bus
Fonte: Blue Bus
16 de out. de 2007
Quase 70% dos brasileiros nunca ouviram falar da emissora
Pesquisa divulgada na segunda-feira (15) pela CNT/Sensus mostra que 67,6% dos brasileiros "nunca ouviram falar" da TV Pública, que será lançada em dezembro.
Somente 21,2% dos entrevistados disseram que já ouviram falar da TV pública, contra 9,8% que disseram "ter acompanhado" o assunto.
Entre os que responderam que conhecem a TV Pública, 74% disseram concordar com a iniciativa do Poder Executivo. Outros 18,4% afirmaram que não concordam, enquanto 7,6% não responderam.
Fonte: CCSP
Somente 21,2% dos entrevistados disseram que já ouviram falar da TV pública, contra 9,8% que disseram "ter acompanhado" o assunto.
Entre os que responderam que conhecem a TV Pública, 74% disseram concordar com a iniciativa do Poder Executivo. Outros 18,4% afirmaram que não concordam, enquanto 7,6% não responderam.
Fonte: CCSP
15 de out. de 2007
Sack’s aposta em venda de perfumes pela internet
Conte-nos um pouco sobre a Sack’s. Quais eram os objetivos e expectativas antes de implantar a venda online? E o que mudou atualmente?
A Sack’s começou a 7 anos como pioneira no segmento de perfumaria na Internet. Hoje, nós vemos claramente que a estratégia de deixar o varejo físico e concentrar as forças no varejo on-line foi acertada. No começo havia muita insegurança do mercado com relação às vendas na Internet, por isso sempre tivemos uma equipe enxuta e trabalhamos duro para estarmos na liderança do mercado de perfumaria na América Latina.
Qual a importância do canal internet para os negócios da Sack’s?
A empresa tem suas vendas 100% no canal internet e nosso foco é continuar neste canal que é onde sabemos o que estamos fazendo.
Como os números do acompanhamento que a e-bit faz das vendas online ajudam a Sack’s a melhorar os seus resultados?
O estudo da e-bit é de grande valia para a análise da visão dos nossos e-consumidores, tanto no processo de venda como no pós-venda. Todo nosso desenvolvimento é voltado para a boa usabilidade do nosso sistema e buscamos deixar o e-consumidor sempre à frente de todas as decisões que tomamos no nosso negócio.
Vocês utilizam alguma métrica da e-bit como referência para bonificar sua equipe de colaboradores?
Nós temos diversos métodos de avaliação de equipe e de resultados. Utilizamos os dados fornecidos pela e-bit como forma de termômetro para algumas atitudes que tomamos no nosso dia-a-dia. Como a opinião dos nossos clientes é forte nas decisões e caminhos do nosso negócio, buscamos sempre olhar detalhadamente para chegar num grau de excelência perseguido pela empresa. Tudo isso acaba influenciando na bonificação e na importância de cada um dentro da empresa.
Como é o desafio de vender perfume pela internet, que teoricamente seria difícil já que as pessoas necessitam sentir a fragrância antes de efetuar a compra?
Não vendemos somente perfumes, vendemos sonhos, marcas, oportunidades e isso que diferencia nossa abordagem de nossos concorrentes no segmento. Eles querem vender perfumes, nós não!
Como você encara o fato de a Sack’s ter recebido o troféu “Excelência em Qualidade Comércio Eletrônico B2C” da e-bit nas 4 edições ? O que ele representa para vocês?
Nossos clientes são nosso maior ativo e receber um prêmio que representa a opinião deles deixa a empresa com um sentimento de dever cumprido. Mas, ao invés de relaxar nós utilizamos isso como elemento motivacional para toda equipe. Não queremos mais ser ouro, queremos ser sempre Diamante!
Como vocês têm visto as movimentações de fusão e aquisição no comércio eletrônico e possível entrada de grandes players como Wal-Mart, Casas Bahia e Carrefour?
O mercado está em constante movimento e grandes empresas estão acordando para o mercado de e-commerce que está cada vez mais consolidado. Quem entra hoje sabe o déficit que tem do seu concorrente que está a 7 ou 8 anos na rede e, por isso, tem que procurar as pessoas e os lugares certos para começar sua operação on-line com o pé direito.
Segundo os números da e-bit, o comércio eletrônico brasileiro cresceu 49% no primeiro semestre de 2007 e a expectativa de faturamento para o fechamento do ano é de alcançar R$ 6,4 bilhões. Quais são as estratégias da Sack’s para ganhar share em um mercado tão dinâmico?
Atualmente, somos líderes no segmento de perfumaria e, ano a ano, estamos crescendo sempre acima de todas as pesquisas publicadas no setor. Conseguimos isso graças a uma política agressiva de comunicação e ao trabalho de conquista de novas marcas que antes nem sonhavam em ter seu produto vendido na Internet e que agora tem como um de seus maiores clientes a Sack’s.
Quais são os próximos desafios a serem conquistados pela Sack’s com a internet?
Nosso maior desafio é continuar na liderança no segmento crescendo sempre acima dos indicadores de mercado dos principais institutos de pesquisa nacionais. Temos ainda muitas marcas e categorias que estão sendo estudadas e devem fazer parte de nossa carteira de clientes no próximo ano.
Fonte: e-bit
A Sack’s começou a 7 anos como pioneira no segmento de perfumaria na Internet. Hoje, nós vemos claramente que a estratégia de deixar o varejo físico e concentrar as forças no varejo on-line foi acertada. No começo havia muita insegurança do mercado com relação às vendas na Internet, por isso sempre tivemos uma equipe enxuta e trabalhamos duro para estarmos na liderança do mercado de perfumaria na América Latina.
Qual a importância do canal internet para os negócios da Sack’s?
A empresa tem suas vendas 100% no canal internet e nosso foco é continuar neste canal que é onde sabemos o que estamos fazendo.
Como os números do acompanhamento que a e-bit faz das vendas online ajudam a Sack’s a melhorar os seus resultados?
O estudo da e-bit é de grande valia para a análise da visão dos nossos e-consumidores, tanto no processo de venda como no pós-venda. Todo nosso desenvolvimento é voltado para a boa usabilidade do nosso sistema e buscamos deixar o e-consumidor sempre à frente de todas as decisões que tomamos no nosso negócio.
Vocês utilizam alguma métrica da e-bit como referência para bonificar sua equipe de colaboradores?
Nós temos diversos métodos de avaliação de equipe e de resultados. Utilizamos os dados fornecidos pela e-bit como forma de termômetro para algumas atitudes que tomamos no nosso dia-a-dia. Como a opinião dos nossos clientes é forte nas decisões e caminhos do nosso negócio, buscamos sempre olhar detalhadamente para chegar num grau de excelência perseguido pela empresa. Tudo isso acaba influenciando na bonificação e na importância de cada um dentro da empresa.
Como é o desafio de vender perfume pela internet, que teoricamente seria difícil já que as pessoas necessitam sentir a fragrância antes de efetuar a compra?
Não vendemos somente perfumes, vendemos sonhos, marcas, oportunidades e isso que diferencia nossa abordagem de nossos concorrentes no segmento. Eles querem vender perfumes, nós não!
Como você encara o fato de a Sack’s ter recebido o troféu “Excelência em Qualidade Comércio Eletrônico B2C” da e-bit nas 4 edições ? O que ele representa para vocês?
Nossos clientes são nosso maior ativo e receber um prêmio que representa a opinião deles deixa a empresa com um sentimento de dever cumprido. Mas, ao invés de relaxar nós utilizamos isso como elemento motivacional para toda equipe. Não queremos mais ser ouro, queremos ser sempre Diamante!
Como vocês têm visto as movimentações de fusão e aquisição no comércio eletrônico e possível entrada de grandes players como Wal-Mart, Casas Bahia e Carrefour?
O mercado está em constante movimento e grandes empresas estão acordando para o mercado de e-commerce que está cada vez mais consolidado. Quem entra hoje sabe o déficit que tem do seu concorrente que está a 7 ou 8 anos na rede e, por isso, tem que procurar as pessoas e os lugares certos para começar sua operação on-line com o pé direito.
Segundo os números da e-bit, o comércio eletrônico brasileiro cresceu 49% no primeiro semestre de 2007 e a expectativa de faturamento para o fechamento do ano é de alcançar R$ 6,4 bilhões. Quais são as estratégias da Sack’s para ganhar share em um mercado tão dinâmico?
Atualmente, somos líderes no segmento de perfumaria e, ano a ano, estamos crescendo sempre acima de todas as pesquisas publicadas no setor. Conseguimos isso graças a uma política agressiva de comunicação e ao trabalho de conquista de novas marcas que antes nem sonhavam em ter seu produto vendido na Internet e que agora tem como um de seus maiores clientes a Sack’s.
Quais são os próximos desafios a serem conquistados pela Sack’s com a internet?
Nosso maior desafio é continuar na liderança no segmento crescendo sempre acima dos indicadores de mercado dos principais institutos de pesquisa nacionais. Temos ainda muitas marcas e categorias que estão sendo estudadas e devem fazer parte de nossa carteira de clientes no próximo ano.
Fonte: e-bit
3 de out. de 2007
Entrevista: máquinas terão consciência até 2020, diz futurólogo
Você pode não concordar com ele. Pode mesmo não acreditar em nada do que ele diz. Mas a British Telecom acredita. Ian Pearson é o futurólogo de plantão da BT, a gigante de telecom do Reino Unido.
Pearson é pago para imaginar aonde as tecnologias atuais irão nos levar. Inteligência Artificial, modificação genética do ser humano, vírus inteligentes, civilizações imaginárias, a Second Life 10.0 e cenários terríveis como o do Exterminador do Futuro fazem parte do vasto leque de possibilidades na mira deste cientista.
De posse de novas informações, todos os anos ele atualiza a sua Linha Tecnológica do Tempo, onde se lê que a seleção inglesa de futebol irá perder para jogadores robôs em 2051.
Nesta entrevista exclusiva feita por telefone desde Londres, onde mora, Pearson fala sobre o seu ofício, pondera sobre os problemas para entender as máquinas inteligentes quando estas surgirem, e alerta para os grandes dilemas ético-morais decorrentes do avanço tecnológico que a humanidade terá, mais cedo ou mais tarde, que enfrentar.
Por que a BT tem um futurólogo?
Ian Pearson – A BT usa o termo futurista. É um termo mais internacional. Futurólogo é particularmente britânico. Gostamos de pensar que contar com futurólogos na BT é como olhar através do pára-brisa do seu carro quando está dirigindo sozinho no meio da neblina. Não se pode delinear uma imagem nítida do que está à frente. Procura-se detectar os obstáculos. Às vezes pode-se confundir uma silhueta à distância, mas poucos entre nós iriam guiar no meio de um nevoeiro sem se importar em olhar através do pára-brisa. Uma visão desfocada é muito melhor do que visão nenhuma!
O mesmo vale para os negócios, razão pela qual a BT me emprega. Quanto mais longe se puder enxergar, melhor se poderá planejar. Por isso é que os exercícios de futurologia são uma função importante. A futurologia é considerada parte do planejamento da empresa. As pessoas pensavam um pouco à frente, mas não havia realmente nenhum pensamento de longo prazo antes da minha chegada. A BT não contava com nenhum futurólogo antes de mim. Ingressei na BT em 1985, mas só me tornei um futurólogo em tempo integral em 1991.
A Royal Dutch Shell possui uma célebre equipe para desenvolver cenários estratégicos. Você trabalha da mesma forma que eles?
Trabalhamos com métodos diferentes. Até aonde eu sei, a Shell praticamente inventou o campo da futurologia corporativa. Mas o que eles fazem se chama planejamento de cenários, que são diferentes possibilidades para o que está à frente, e eles fazem planos para cada um destes possíveis diferentes cenários.
O que nós fazemos na BT é usar o método de cenários aqui e ali através da companhia por diversas razões, mas eu pessoalmente não penso que ele funcione muito bem em termos de se pensar como de fato será o futuro. Podemos observar diferentes cenários, mas quando se pensa muito sobre o futuro numa área dominada pela tecnologia como é o caso da telecom, pode-se descobrir com bastante certeza como ele vai se parecer, ao contrário do que apenas compondo cenários. É por isso que eu acho muito melhor tentar prever o que está para acontecer do que ter uma lista com várias possibilidades.
Como você faz suas previsões?
Eu leio muito. Tento me manter atualizado com o que está acontecendo. Leio revistas semanais e de negócios, além de periódicos e sites de tecnologia. Tento me manter a par do que acontece ao redor do mundo. Também gasto bastante tempo ouvindo outras pessoas e lhes dando palpites sobre o que eles acreditam que irá acontecer em suas respectivas áreas.
Eu também gasto muito tempo sonhando acordado, imaginando como as coisas irão interagir, até que gradualmente começa a se descortinar uma visão do futuro. Quando falo dela para as outras pessoas muitas vezes elas discordam. Por exemplo, alguém diz: “essa é uma conclusão muito estúpida!” - o que me leva a repensar tudo novamente. Este método permite que eu refine minhas idéias ao compartilhá-las com outros colegas, achando melhores conclusões.
Há 10 anos, em maio de 1997, o campeão mundial de xadrez Gary Kasparov foi derrotado pelo supercomputador Deep Blue da IBM. Será que aquele foi o primeiro vislumbre de uma nova forma de inteligência, como o próprio Kasparov declarou?
Sim, este é um bom exemplo do que se pode fazer com uma inteligência baseada em computadores. O que ficou claro é que a Inteligência Artificial não precisa fazer as coisas do mesmo jeito que nós humanos para atingir os mesmos objetivos que nós usamos nossa inteligência para alcançar.
Deep Blue não funcionava do mesmo modo que uma pessoa. Deep Blue tinha uma enorme capacidade de processamento de dados. Não era uma máquina consciente. Era apenas uma máquina muito burra que não tinha ciência da sua existência. Ela apenas mastigava números para ser capaz de resolver problemas cuja solução requer uma das mais refinadas mentes humanas do planeta.
Mas foi um grande avanço. Acredito que foi um divisor de águas importantíssimo para o pensamento. Muitos entre nós percebemos então que não seria necessário identificar exatamente como o cérebro funciona para resolver um monte de problemas que requerem inteligência, porque para solucionar estas coisas pode-se usar computadores no lugar de uma grande máquina autoconsciente.
Não obstante, acredito que a tarefa de produzir máquinas com consciência ainda é importante. Nós provavelmente construiremos máquinas conscientes em algum momento entre 2015 e 2020, creio eu. Mas elas não serão como você e eu. Serão conscientes de si mesmas e a sua vontade será consciente mais ou menos do mesmo jeito que a sua e a minha, mas funcionarão de um modo bem diferente. Serão alienígenas. Terão um modo diferente do nosso de pensar, mas não obstante ainda assim elas irão pensar. Não é preciso que se pareçam com a gente para que sejam capazes de pensar as mesmas coisas.
Mas, de acordo com a Lei de Moore, tão logo as máquinas se tornem inteligentes elas ultrapassaram a compreensão humana. A propósito, a sua Linha Tecnológica do Tempo de 2006 prevê que uma entidade de Inteligência Artificial irá ganhar um prêmio Nobel na década de 2020, e que na década seguinte os robôs serão mentalmente superiores aos humanos. O que virá depois disso, uma super-inteligência ou Deus 2.0?
Eu continuo acreditando nestas previsões de tempo para o advento da inteligência sobre-humana, mas não vou comentar sobre um Deus 2.0. Acredito que ainda devemos esperar por um computador consciente mais inteligente que nós por volta de 2020. Ainda não vejo razões porque isso não iria acontecer neste período de tempo. Mas não penso que iremos compreendê-los. Pela simples razão de que nós nem mesmo entendemos como funcionam algumas das principais funções da consciência.
Vou lhe dar um exemplo. No começo dos anos 1990 na Universidade de Sussex havia um experimento para gerar um programa que iria desenvolver circuitos para distinguir entre os diferentes tons num circuito telefônico, permitindo aos circuitos operarem em modos diferentes. Pois bem, os circuitos que o computador desenvolveu operaram de modo muito diferente daqueles criados pelos humanos. Quer dizer que o computador não empregou as convenções que as pessoas usam, mas apesar disso ele forneceu soluções que eram mais elegantes e que operavam de modo muito diverso.
Este exemplo mostra como até mesmo os mais simples dos sistemas nos fazem perder muito tempo para tentar compreender como eles funcionam. Eu não creio que iremos compreender estas máquinas inteligentes. Se você acha que elas serão capazes de se tornar mais inteligentes do que as pessoas, bem, eu concordo com a lógica de elas são mais espertas na hora de criar projetos mais inteligentes. Mas elas irão se tornar muito, muito inteligentes. É como um hamster tentando entender um ser humano. Eles simplesmente não podem entender o problema. Como então poderiam pensar do mesmo jeito? É como se comparar um ser humano a uma inteligência alienígena, que é centenas de milhões de vezes mais inteligente. Nós não possuímos a capacidade para começar a pensar do mesmo modo.
Quando pusemos máquinas ganhando prêmios Nobel na nossa linha tecnológica do tempo, tivemos boas razões para fazê-lo. Percebe? Ainda que muitos entre nós gostem de pensar que somos razoavelmente inteligentes, a maioria não é capaz de fazer algo tão genial para ganhar um prêmio Nobel, assim como não somos capazes de entender todos os ensaios ou conferências que um prêmio Nobel é capaz de escrever ou proferir, porque talvez estes caras operem num nível diferente do restante da humanidade. Com os computadores acontecerá o mesmo em algum momento num futuro não muito distante.
Neste contexto, podemos considerar que o Second Life seria uma forma de Matrix 1.0, ao passo que a Matrix do filme homônimo de 1999 será uma combinação do Second Life com a Inteligência Artificial?
Este é um jeito interessante de enxergar a questão! Eu nunca havia pensado nisto nesses termos. Mas no fundo eu realmente acho que não. Penso que, embora a Matrix e o Second Life tratem de socialização, o Second Life é um mundo imaginário onde podemos habitar, mas a diferença chave é que as pessoas têm plena consciência de estarem lá, enquanto que em Matrix a questão chave do filme não era que se tratava de um ambiente virtual onde as pessoas não sabiam que se encontravam.
Não creio que o Second Life jamais evolua para um lugar onde a gente não seja consciente que está online. Sempre seremos capazes de distinguir entre estar conectado num mundo imaginário e quando se trata da vida real. Sempre seremos capazes de distinguir entre a vida real e a vida imaginária. Essa é a principal diferença entre Matrix e o Second Life. Mas certamente podemos adaptar o conceito do Second Life a partir de ambientes virtuais mais simples e adicionar a estes capacidades sensoriais, criando assim algo totalmente convincente. Sob este enfoque, uma futura versão poderia lembrar muito a Matrix, onde se tem um ambiente muito grande com pessoas interconectadas num nível muito convincente de realidade.
Isso está me parecendo o holodeck de Jornada nas Estrelas, não acha?
Isso! O holodeck em Jornada nas Estrelas tinha um pouco das propriedades futuras dos mundos virtuais. Em 2020, nós seremos capazes de induzir sensações, de exprimir sensações e de substituir sensações. Portanto, poderemos fazer algo que se aproxime do holodeck de Jornada nas Estrelas ou de O Vingador do Futuro (Total Recall, 1990). Será algo meio parecido com a Matrix, como um Second Life 10.0 ou algo do gênero.
O futuro está convergindo na direção de muitas destas coisas. No lugar do Second Life, uma metáfora que usamos com freqüência é o The Sims, o game com personagens imaginários que interagem entre si. Eles não são humanos, mas interagem assim mesmo. No futuro, com o advento da Inteligência Artificial, poderemos ter algo com as características do The Sims e consciência. Será uma situação muito interessante quando existir uma civilização imaginária, vivendo vidas imaginárias, sob um ponto de vista humano. Para os membros desta civilização ela será bastante real, e suas existências acontecerão no interior da rede, dentro do ciberespaço.
Você se interessa pela questão da convergência NBIC (nanociência, biotecnologia, tecnologia da informação e ciências cognitivas). Isso preocupa muita gente. Um exemplo é Bill Joy, o antigo CTO da Sun Microsystems, que em 2000 publicou um célebre manifesto na revista Wired, entitulado “Por que o futuro não precisa da gente”, onde alertava para o perigo que esta convergência representa para a Humanidade. Na sua linha tecnológica do tempo, eu li que nos anos 2030 um vírus criado pela nanotecnologia poderá ser transmitido entre máquinas e humanos através da internet. Isso não é o pior dos pesadelos tecnológicos?
Eu colocaria as coisas em outros termos. Em primeiro lugar, colocamos estas idéias na linha tecnológica do tempo para salientar as possibilidades da tecnologia futura. Mas acredito que, em certos casos, nós provavelmente iremos criar restrições para prevenir que alguém crie coisas como estas. A convergência NBIC permitirá que se crie coisas muito poderosas que trarão enormes benefícios para a Humanidade. Do mesmo modo, ela poderá permitir a criação de armas formidáveis que podem desaguar em cenários realmente horríveis.
O ponto que Bill Joy queria colocar em evidência no seu artigo é que tudo isso será plenamente possível. Daí que, em algum momento, nós teremos que descobrir como impedir que estas coisas aconteçam. Teremos que persuadir os governos ao redor do planeta para que percebam que existem problemas sérios que precisam ser regulados como forma de proteção.
Pegue o exemplo da tecnologia de modificação genética, uma tecnologia cujos problemas potenciais já foram antecipados. Os governos devem fazer alguma coisa com relação a isso, devem estabelecer tratados a este respeito, embora sempre haja alguns poucos países que ficarão de fora. Por exemplo, na maior parte do mundo é ilegal clonar seres humanos e existem muitas restrições sobre o que se pode pesquisar em termos de modificação genética. Acredito que provavelmente o mesmo deverá acontecer com a convergência NBIC, proibindo aos cientistas o acesso a um nível tecnológico que os coloque perto de obter a capacidade de produzir coisas como os nano assemblers (máquinas moleculares capazes de produzir outras máquinas moleculares) para a produção de vírus e coisas do tipo. Será preciso criar restrições muito rígidas sobre a convergência NBIC para isso não ocorrer.
Mas como fazer isso?
O problema é que muitas destas tecnologias serão quase impossíveis de policiar. Mesmo que elas se tornem ilegais em todo o mundo através de tratados internacionais, como será possível controlar o que alguém está fazendo no fundo do quintal, alguém muito inteligente e com pouco equipamento? Não se pode detectar este tipo de coisa através do uso de vigilância via satélite. Sob esta ótica, eu acho que não poderemos fazer nada a respeito, seremos obrigados a aceitar o risco. Mas isso não é novidade! Uma vez que a tecnologia existe ou mesmo no caso dela estar a meio caminho de ser criada, é óbvio que só será necessário alguns caras espertos trabalhando num pequeno laboratório. Em pouco tempo eles irão sair de lá com alguma coisa. Como poderemos impedir?
O conceito de convergência NBIC prevê a criação de alguma forma viral extrema de Inteligência Artificial, assim como máquinas conscientes, super-homens, nano assemblers, modificação genética, etc... Precisamos decidir como regular estas tecnologias, apesar de termos capacidade limitada para tanto. Eu concordo com Bill Joy até certo ponto. Não sou otimista de achar que iremos achar uma solução. No momento, não existe nenhuma. Joy tem o mérito de ter levantado uma questão muito importante!
O físico inglês Stephen Hawking defendeu em 2001 (na revista alemã Focus) a modificação genética da nossa espécie como forma de manter o passo com as máquinas inteligentes. Você acredita que o melhoramento genético do ser humano é possível?
Estamos desenvolvendo uma boa compreensão de como um ser humano é construído e como ele funciona tão somente a partir de um exército de proteínas e coisas parecidas. Do mesmo modo, nós estamos identificando como operam os processos que envolvem a vida.
Acredito que este progresso irá se acelerar ao longo da próxima década. Portanto é muito provável que possamos desenvolver a capacidade de modificar o ser humano sob diversas formas. Mas, novamente, temos que ter meios para policiar este processo. Ao mesmo tempo, deveríamos ter a possibilidade de realizar quaisquer modificações no ser humano que possamos desejar. Por exemplo, as pessoas irão procurar por modificações genéticas para acrescentar genes que realizam tarefas úteis, assim como se livrar de outros que não o façam. Não conheço a resposta para esta questão, e a maioria dos cientistas também não sabe.
Nós seremos capazes de extrair genes de outros organismos, e modificá-los ao fundi-los uns com os outros. Eventualmente, quando realmente compreendermos os princípios básicos através dos quais os genes operam, e quando reunirmos outros vislumbres do que a natureza levou bilhões de anos para produzir, poderemos ir muito mais longe.
Quando isso acontecer, seremos capazes de projetar genes a partir do zero para alcançar os objetivos a que nos propusermos. Seremos capazes de decidir quais características queremos criar ou até mesmo determinar qual personalidade se deseja possuir, e daí produzir todas as proteínas e sistemas para realizá-lo.
Acredito que seremos capazes de fazer tudo isso, modificar pessoas e muito possivelmente acabar expandindo certo número de habilidades humanas. A questão é: quão longe devemos ir até decidir que queremos inserir melhorias genéticas nas pessoas que desejam obtê-las, como por exemplo, uma conexão direta com as máquinas? Será que iremos querer nos conectar na rede? Deveríamos produzir genética que permita às pessoas, em 2050 ou 2060, se conectar diretamente na internet através do pensamento, permitindo a elas se comunicar com outras pessoas através de telepatia? Por que não seguir este caminho no caso da tecnologia existir e a engenharia permiti-lo? As possibilidades são muito interessantes.
Neste exato momento, o Pentágono está empregando mais de cinco mil robôs no Iraque e no Afeganistão, patrulhando cidades, desarmando explosivos ou realizando vôos de reconhecimento. O próximo passo é fazê-los portar armas. O final dessa história desemboca no Exterminador do Futuro?
(Risos) Esta é com certeza uma das principais preocupações com que os engenheiros vêm se preocupando: se esta tecnologia leva na direção de O Exterminador do Futuro como mostra o filme de 1984, quando se projeta um robô que deveria responder ao nosso comando, mas que no momento em que se torna consciente decide não mais nos obedecer.
Quando os Estados Unidos desenvolvem armas robóticas eles estão dando um passo nessa direção. A questão é quão longe se pode seguir por esse caminho sem contar com uma enorme assistência tecnológica. Por exemplo, um ditadorzinho de algum regime poderia permitir que seus cientistas trilhassem esta direção para desenvolver algum sistema bélico? Hoje, provavelmente não, porque ele não teria acesso a tecnologias que ainda não foram desenvolvidas.
Estas tecnologias irão requerer uma enorme quantidade de recursos. Mas este potencial existe. Como sabemos que a possibilidade existe, é óbvio que alguém irá pensar em projetar estas máquinas, e não irá deter-se meramente pelo temor de que em algum momento sua pesquisa possa desembocar num cenário como o do Exterminador do Futuro. Nós certamente teremos que nos auto-policiar para não sermos estúpidos o suficiente para destruir o mundo.
Você é otimista com relação ao futuro? Acredita que poderemos expandir nossa civilização tecnológica ao mesmo tempo em que salvamos o mundo da fome, da superpopulação, da poluição e da destruição ambiental?
Eu sou um otimista. Reconheço que existem perigos no futuro. Mas de alguma forma eu ainda acredito que iremos conseguir evitar estes problemas e que o futuro será muito melhor do que o presente. Se olharmos muito além no futuro, iremos resolver muitos destes problemas usando máquinas avançadas. De uma forma ou de outra, conseguiremos encontrar um meio para evitar a destruição do mundo. É nisso que acredito. Se eu olhar para o lado negativo, existe um risco, um risco significativo de que nós possamos destruir o mundo através de meios impossíveis de imaginar.
Eu acredito que nas próximas décadas haverá um equilíbrio entre os problemas causados pela tecnologia e as soluções por ela criadas. Mas penso que no curto e no médio prazo o mundo provavelmente não será melhor ou pior do que é hoje. No longo prazo, no entanto, existem muitas razões para ser otimista. Nós poderemos solucionar muitos dos problemas que causamos ao planeta, assim como provavelmente saberemos lidar com os problemas a serem criados por tecnologias que ainda estão por vir. Portanto, no que diz respeito ao futuro, eu sou um otimista. Mesmo porque a alternativa contrária é horrível demais para ser pensada.
Por fim, na sua linha tecnológica do tempo, lê-se que em 2051 uma seleção de futebol humanóide irá vencer a seleção inglesa. Mas será que eles ganham do Brasil?
(Gargalhando) Eu não sou um torcedor de futebol. A última vez que me interessei pelo esporte eu era muito pequeno, mas me lembro deste jogador, o Pelé. Tenho certeza de que ele era brasileiro. Vocês parecem ser muito bons no futebol. Acredito que se algum país no mundo ainda irá conseguir vencer dos robôs, esse país será o Brasil.
Fonte: IDG Now!
Pearson é pago para imaginar aonde as tecnologias atuais irão nos levar. Inteligência Artificial, modificação genética do ser humano, vírus inteligentes, civilizações imaginárias, a Second Life 10.0 e cenários terríveis como o do Exterminador do Futuro fazem parte do vasto leque de possibilidades na mira deste cientista.
De posse de novas informações, todos os anos ele atualiza a sua Linha Tecnológica do Tempo, onde se lê que a seleção inglesa de futebol irá perder para jogadores robôs em 2051.
Nesta entrevista exclusiva feita por telefone desde Londres, onde mora, Pearson fala sobre o seu ofício, pondera sobre os problemas para entender as máquinas inteligentes quando estas surgirem, e alerta para os grandes dilemas ético-morais decorrentes do avanço tecnológico que a humanidade terá, mais cedo ou mais tarde, que enfrentar.
Por que a BT tem um futurólogo?
Ian Pearson – A BT usa o termo futurista. É um termo mais internacional. Futurólogo é particularmente britânico. Gostamos de pensar que contar com futurólogos na BT é como olhar através do pára-brisa do seu carro quando está dirigindo sozinho no meio da neblina. Não se pode delinear uma imagem nítida do que está à frente. Procura-se detectar os obstáculos. Às vezes pode-se confundir uma silhueta à distância, mas poucos entre nós iriam guiar no meio de um nevoeiro sem se importar em olhar através do pára-brisa. Uma visão desfocada é muito melhor do que visão nenhuma!
O mesmo vale para os negócios, razão pela qual a BT me emprega. Quanto mais longe se puder enxergar, melhor se poderá planejar. Por isso é que os exercícios de futurologia são uma função importante. A futurologia é considerada parte do planejamento da empresa. As pessoas pensavam um pouco à frente, mas não havia realmente nenhum pensamento de longo prazo antes da minha chegada. A BT não contava com nenhum futurólogo antes de mim. Ingressei na BT em 1985, mas só me tornei um futurólogo em tempo integral em 1991.
A Royal Dutch Shell possui uma célebre equipe para desenvolver cenários estratégicos. Você trabalha da mesma forma que eles?
Trabalhamos com métodos diferentes. Até aonde eu sei, a Shell praticamente inventou o campo da futurologia corporativa. Mas o que eles fazem se chama planejamento de cenários, que são diferentes possibilidades para o que está à frente, e eles fazem planos para cada um destes possíveis diferentes cenários.
O que nós fazemos na BT é usar o método de cenários aqui e ali através da companhia por diversas razões, mas eu pessoalmente não penso que ele funcione muito bem em termos de se pensar como de fato será o futuro. Podemos observar diferentes cenários, mas quando se pensa muito sobre o futuro numa área dominada pela tecnologia como é o caso da telecom, pode-se descobrir com bastante certeza como ele vai se parecer, ao contrário do que apenas compondo cenários. É por isso que eu acho muito melhor tentar prever o que está para acontecer do que ter uma lista com várias possibilidades.
Como você faz suas previsões?
Eu leio muito. Tento me manter atualizado com o que está acontecendo. Leio revistas semanais e de negócios, além de periódicos e sites de tecnologia. Tento me manter a par do que acontece ao redor do mundo. Também gasto bastante tempo ouvindo outras pessoas e lhes dando palpites sobre o que eles acreditam que irá acontecer em suas respectivas áreas.
Eu também gasto muito tempo sonhando acordado, imaginando como as coisas irão interagir, até que gradualmente começa a se descortinar uma visão do futuro. Quando falo dela para as outras pessoas muitas vezes elas discordam. Por exemplo, alguém diz: “essa é uma conclusão muito estúpida!” - o que me leva a repensar tudo novamente. Este método permite que eu refine minhas idéias ao compartilhá-las com outros colegas, achando melhores conclusões.
Há 10 anos, em maio de 1997, o campeão mundial de xadrez Gary Kasparov foi derrotado pelo supercomputador Deep Blue da IBM. Será que aquele foi o primeiro vislumbre de uma nova forma de inteligência, como o próprio Kasparov declarou?
Sim, este é um bom exemplo do que se pode fazer com uma inteligência baseada em computadores. O que ficou claro é que a Inteligência Artificial não precisa fazer as coisas do mesmo jeito que nós humanos para atingir os mesmos objetivos que nós usamos nossa inteligência para alcançar.
Deep Blue não funcionava do mesmo modo que uma pessoa. Deep Blue tinha uma enorme capacidade de processamento de dados. Não era uma máquina consciente. Era apenas uma máquina muito burra que não tinha ciência da sua existência. Ela apenas mastigava números para ser capaz de resolver problemas cuja solução requer uma das mais refinadas mentes humanas do planeta.
Mas foi um grande avanço. Acredito que foi um divisor de águas importantíssimo para o pensamento. Muitos entre nós percebemos então que não seria necessário identificar exatamente como o cérebro funciona para resolver um monte de problemas que requerem inteligência, porque para solucionar estas coisas pode-se usar computadores no lugar de uma grande máquina autoconsciente.
Não obstante, acredito que a tarefa de produzir máquinas com consciência ainda é importante. Nós provavelmente construiremos máquinas conscientes em algum momento entre 2015 e 2020, creio eu. Mas elas não serão como você e eu. Serão conscientes de si mesmas e a sua vontade será consciente mais ou menos do mesmo jeito que a sua e a minha, mas funcionarão de um modo bem diferente. Serão alienígenas. Terão um modo diferente do nosso de pensar, mas não obstante ainda assim elas irão pensar. Não é preciso que se pareçam com a gente para que sejam capazes de pensar as mesmas coisas.
Mas, de acordo com a Lei de Moore, tão logo as máquinas se tornem inteligentes elas ultrapassaram a compreensão humana. A propósito, a sua Linha Tecnológica do Tempo de 2006 prevê que uma entidade de Inteligência Artificial irá ganhar um prêmio Nobel na década de 2020, e que na década seguinte os robôs serão mentalmente superiores aos humanos. O que virá depois disso, uma super-inteligência ou Deus 2.0?
Eu continuo acreditando nestas previsões de tempo para o advento da inteligência sobre-humana, mas não vou comentar sobre um Deus 2.0. Acredito que ainda devemos esperar por um computador consciente mais inteligente que nós por volta de 2020. Ainda não vejo razões porque isso não iria acontecer neste período de tempo. Mas não penso que iremos compreendê-los. Pela simples razão de que nós nem mesmo entendemos como funcionam algumas das principais funções da consciência.
Vou lhe dar um exemplo. No começo dos anos 1990 na Universidade de Sussex havia um experimento para gerar um programa que iria desenvolver circuitos para distinguir entre os diferentes tons num circuito telefônico, permitindo aos circuitos operarem em modos diferentes. Pois bem, os circuitos que o computador desenvolveu operaram de modo muito diferente daqueles criados pelos humanos. Quer dizer que o computador não empregou as convenções que as pessoas usam, mas apesar disso ele forneceu soluções que eram mais elegantes e que operavam de modo muito diverso.
Este exemplo mostra como até mesmo os mais simples dos sistemas nos fazem perder muito tempo para tentar compreender como eles funcionam. Eu não creio que iremos compreender estas máquinas inteligentes. Se você acha que elas serão capazes de se tornar mais inteligentes do que as pessoas, bem, eu concordo com a lógica de elas são mais espertas na hora de criar projetos mais inteligentes. Mas elas irão se tornar muito, muito inteligentes. É como um hamster tentando entender um ser humano. Eles simplesmente não podem entender o problema. Como então poderiam pensar do mesmo jeito? É como se comparar um ser humano a uma inteligência alienígena, que é centenas de milhões de vezes mais inteligente. Nós não possuímos a capacidade para começar a pensar do mesmo modo.
Quando pusemos máquinas ganhando prêmios Nobel na nossa linha tecnológica do tempo, tivemos boas razões para fazê-lo. Percebe? Ainda que muitos entre nós gostem de pensar que somos razoavelmente inteligentes, a maioria não é capaz de fazer algo tão genial para ganhar um prêmio Nobel, assim como não somos capazes de entender todos os ensaios ou conferências que um prêmio Nobel é capaz de escrever ou proferir, porque talvez estes caras operem num nível diferente do restante da humanidade. Com os computadores acontecerá o mesmo em algum momento num futuro não muito distante.
Neste contexto, podemos considerar que o Second Life seria uma forma de Matrix 1.0, ao passo que a Matrix do filme homônimo de 1999 será uma combinação do Second Life com a Inteligência Artificial?
Este é um jeito interessante de enxergar a questão! Eu nunca havia pensado nisto nesses termos. Mas no fundo eu realmente acho que não. Penso que, embora a Matrix e o Second Life tratem de socialização, o Second Life é um mundo imaginário onde podemos habitar, mas a diferença chave é que as pessoas têm plena consciência de estarem lá, enquanto que em Matrix a questão chave do filme não era que se tratava de um ambiente virtual onde as pessoas não sabiam que se encontravam.
Não creio que o Second Life jamais evolua para um lugar onde a gente não seja consciente que está online. Sempre seremos capazes de distinguir entre estar conectado num mundo imaginário e quando se trata da vida real. Sempre seremos capazes de distinguir entre a vida real e a vida imaginária. Essa é a principal diferença entre Matrix e o Second Life. Mas certamente podemos adaptar o conceito do Second Life a partir de ambientes virtuais mais simples e adicionar a estes capacidades sensoriais, criando assim algo totalmente convincente. Sob este enfoque, uma futura versão poderia lembrar muito a Matrix, onde se tem um ambiente muito grande com pessoas interconectadas num nível muito convincente de realidade.
Isso está me parecendo o holodeck de Jornada nas Estrelas, não acha?
Isso! O holodeck em Jornada nas Estrelas tinha um pouco das propriedades futuras dos mundos virtuais. Em 2020, nós seremos capazes de induzir sensações, de exprimir sensações e de substituir sensações. Portanto, poderemos fazer algo que se aproxime do holodeck de Jornada nas Estrelas ou de O Vingador do Futuro (Total Recall, 1990). Será algo meio parecido com a Matrix, como um Second Life 10.0 ou algo do gênero.
O futuro está convergindo na direção de muitas destas coisas. No lugar do Second Life, uma metáfora que usamos com freqüência é o The Sims, o game com personagens imaginários que interagem entre si. Eles não são humanos, mas interagem assim mesmo. No futuro, com o advento da Inteligência Artificial, poderemos ter algo com as características do The Sims e consciência. Será uma situação muito interessante quando existir uma civilização imaginária, vivendo vidas imaginárias, sob um ponto de vista humano. Para os membros desta civilização ela será bastante real, e suas existências acontecerão no interior da rede, dentro do ciberespaço.
Você se interessa pela questão da convergência NBIC (nanociência, biotecnologia, tecnologia da informação e ciências cognitivas). Isso preocupa muita gente. Um exemplo é Bill Joy, o antigo CTO da Sun Microsystems, que em 2000 publicou um célebre manifesto na revista Wired, entitulado “Por que o futuro não precisa da gente”, onde alertava para o perigo que esta convergência representa para a Humanidade. Na sua linha tecnológica do tempo, eu li que nos anos 2030 um vírus criado pela nanotecnologia poderá ser transmitido entre máquinas e humanos através da internet. Isso não é o pior dos pesadelos tecnológicos?
Eu colocaria as coisas em outros termos. Em primeiro lugar, colocamos estas idéias na linha tecnológica do tempo para salientar as possibilidades da tecnologia futura. Mas acredito que, em certos casos, nós provavelmente iremos criar restrições para prevenir que alguém crie coisas como estas. A convergência NBIC permitirá que se crie coisas muito poderosas que trarão enormes benefícios para a Humanidade. Do mesmo modo, ela poderá permitir a criação de armas formidáveis que podem desaguar em cenários realmente horríveis.
O ponto que Bill Joy queria colocar em evidência no seu artigo é que tudo isso será plenamente possível. Daí que, em algum momento, nós teremos que descobrir como impedir que estas coisas aconteçam. Teremos que persuadir os governos ao redor do planeta para que percebam que existem problemas sérios que precisam ser regulados como forma de proteção.
Pegue o exemplo da tecnologia de modificação genética, uma tecnologia cujos problemas potenciais já foram antecipados. Os governos devem fazer alguma coisa com relação a isso, devem estabelecer tratados a este respeito, embora sempre haja alguns poucos países que ficarão de fora. Por exemplo, na maior parte do mundo é ilegal clonar seres humanos e existem muitas restrições sobre o que se pode pesquisar em termos de modificação genética. Acredito que provavelmente o mesmo deverá acontecer com a convergência NBIC, proibindo aos cientistas o acesso a um nível tecnológico que os coloque perto de obter a capacidade de produzir coisas como os nano assemblers (máquinas moleculares capazes de produzir outras máquinas moleculares) para a produção de vírus e coisas do tipo. Será preciso criar restrições muito rígidas sobre a convergência NBIC para isso não ocorrer.
Mas como fazer isso?
O problema é que muitas destas tecnologias serão quase impossíveis de policiar. Mesmo que elas se tornem ilegais em todo o mundo através de tratados internacionais, como será possível controlar o que alguém está fazendo no fundo do quintal, alguém muito inteligente e com pouco equipamento? Não se pode detectar este tipo de coisa através do uso de vigilância via satélite. Sob esta ótica, eu acho que não poderemos fazer nada a respeito, seremos obrigados a aceitar o risco. Mas isso não é novidade! Uma vez que a tecnologia existe ou mesmo no caso dela estar a meio caminho de ser criada, é óbvio que só será necessário alguns caras espertos trabalhando num pequeno laboratório. Em pouco tempo eles irão sair de lá com alguma coisa. Como poderemos impedir?
O conceito de convergência NBIC prevê a criação de alguma forma viral extrema de Inteligência Artificial, assim como máquinas conscientes, super-homens, nano assemblers, modificação genética, etc... Precisamos decidir como regular estas tecnologias, apesar de termos capacidade limitada para tanto. Eu concordo com Bill Joy até certo ponto. Não sou otimista de achar que iremos achar uma solução. No momento, não existe nenhuma. Joy tem o mérito de ter levantado uma questão muito importante!
O físico inglês Stephen Hawking defendeu em 2001 (na revista alemã Focus) a modificação genética da nossa espécie como forma de manter o passo com as máquinas inteligentes. Você acredita que o melhoramento genético do ser humano é possível?
Estamos desenvolvendo uma boa compreensão de como um ser humano é construído e como ele funciona tão somente a partir de um exército de proteínas e coisas parecidas. Do mesmo modo, nós estamos identificando como operam os processos que envolvem a vida.
Acredito que este progresso irá se acelerar ao longo da próxima década. Portanto é muito provável que possamos desenvolver a capacidade de modificar o ser humano sob diversas formas. Mas, novamente, temos que ter meios para policiar este processo. Ao mesmo tempo, deveríamos ter a possibilidade de realizar quaisquer modificações no ser humano que possamos desejar. Por exemplo, as pessoas irão procurar por modificações genéticas para acrescentar genes que realizam tarefas úteis, assim como se livrar de outros que não o façam. Não conheço a resposta para esta questão, e a maioria dos cientistas também não sabe.
Nós seremos capazes de extrair genes de outros organismos, e modificá-los ao fundi-los uns com os outros. Eventualmente, quando realmente compreendermos os princípios básicos através dos quais os genes operam, e quando reunirmos outros vislumbres do que a natureza levou bilhões de anos para produzir, poderemos ir muito mais longe.
Quando isso acontecer, seremos capazes de projetar genes a partir do zero para alcançar os objetivos a que nos propusermos. Seremos capazes de decidir quais características queremos criar ou até mesmo determinar qual personalidade se deseja possuir, e daí produzir todas as proteínas e sistemas para realizá-lo.
Acredito que seremos capazes de fazer tudo isso, modificar pessoas e muito possivelmente acabar expandindo certo número de habilidades humanas. A questão é: quão longe devemos ir até decidir que queremos inserir melhorias genéticas nas pessoas que desejam obtê-las, como por exemplo, uma conexão direta com as máquinas? Será que iremos querer nos conectar na rede? Deveríamos produzir genética que permita às pessoas, em 2050 ou 2060, se conectar diretamente na internet através do pensamento, permitindo a elas se comunicar com outras pessoas através de telepatia? Por que não seguir este caminho no caso da tecnologia existir e a engenharia permiti-lo? As possibilidades são muito interessantes.
Neste exato momento, o Pentágono está empregando mais de cinco mil robôs no Iraque e no Afeganistão, patrulhando cidades, desarmando explosivos ou realizando vôos de reconhecimento. O próximo passo é fazê-los portar armas. O final dessa história desemboca no Exterminador do Futuro?
(Risos) Esta é com certeza uma das principais preocupações com que os engenheiros vêm se preocupando: se esta tecnologia leva na direção de O Exterminador do Futuro como mostra o filme de 1984, quando se projeta um robô que deveria responder ao nosso comando, mas que no momento em que se torna consciente decide não mais nos obedecer.
Quando os Estados Unidos desenvolvem armas robóticas eles estão dando um passo nessa direção. A questão é quão longe se pode seguir por esse caminho sem contar com uma enorme assistência tecnológica. Por exemplo, um ditadorzinho de algum regime poderia permitir que seus cientistas trilhassem esta direção para desenvolver algum sistema bélico? Hoje, provavelmente não, porque ele não teria acesso a tecnologias que ainda não foram desenvolvidas.
Estas tecnologias irão requerer uma enorme quantidade de recursos. Mas este potencial existe. Como sabemos que a possibilidade existe, é óbvio que alguém irá pensar em projetar estas máquinas, e não irá deter-se meramente pelo temor de que em algum momento sua pesquisa possa desembocar num cenário como o do Exterminador do Futuro. Nós certamente teremos que nos auto-policiar para não sermos estúpidos o suficiente para destruir o mundo.
Você é otimista com relação ao futuro? Acredita que poderemos expandir nossa civilização tecnológica ao mesmo tempo em que salvamos o mundo da fome, da superpopulação, da poluição e da destruição ambiental?
Eu sou um otimista. Reconheço que existem perigos no futuro. Mas de alguma forma eu ainda acredito que iremos conseguir evitar estes problemas e que o futuro será muito melhor do que o presente. Se olharmos muito além no futuro, iremos resolver muitos destes problemas usando máquinas avançadas. De uma forma ou de outra, conseguiremos encontrar um meio para evitar a destruição do mundo. É nisso que acredito. Se eu olhar para o lado negativo, existe um risco, um risco significativo de que nós possamos destruir o mundo através de meios impossíveis de imaginar.
Eu acredito que nas próximas décadas haverá um equilíbrio entre os problemas causados pela tecnologia e as soluções por ela criadas. Mas penso que no curto e no médio prazo o mundo provavelmente não será melhor ou pior do que é hoje. No longo prazo, no entanto, existem muitas razões para ser otimista. Nós poderemos solucionar muitos dos problemas que causamos ao planeta, assim como provavelmente saberemos lidar com os problemas a serem criados por tecnologias que ainda estão por vir. Portanto, no que diz respeito ao futuro, eu sou um otimista. Mesmo porque a alternativa contrária é horrível demais para ser pensada.
Por fim, na sua linha tecnológica do tempo, lê-se que em 2051 uma seleção de futebol humanóide irá vencer a seleção inglesa. Mas será que eles ganham do Brasil?
(Gargalhando) Eu não sou um torcedor de futebol. A última vez que me interessei pelo esporte eu era muito pequeno, mas me lembro deste jogador, o Pelé. Tenho certeza de que ele era brasileiro. Vocês parecem ser muito bons no futebol. Acredito que se algum país no mundo ainda irá conseguir vencer dos robôs, esse país será o Brasil.
Fonte: IDG Now!
14 de set. de 2007
Empresas ainda precisam entender o poder das redes sociais
Especialista acredita que empresas ainda não se deram conta dos benefícios que as redes sociais podem conferir às suas marcas.
As redes sociais são as grandes vedetes da comunicação colaborativa. Com cada vez mais usuários, estas redes, independente de seus tamanhos ou alcance, apresentam um processo "non-stop" de troca de idéias e informações, com influência direta na percepção geral a respeito de produtos e serviços.
Contudo, na opinião de Alessandro Lima, diretor da empresa de monitoração de redes sociais E.Life, as empresas ainda estão longe de entender totalmente o que fazer com estas informações. JumpExec entrevista o especialista, que ainda discorre sobre como a publicidade poderá ser afetada com a proliferação destas formas de comunicação.
JumpExec: Na sua opinião, as corporações já estão mais conscientes a respeito do poder das redes sociais na percepção do consumidor em relação às marcas?
Alessandro Lima: Desde que a E.Life iniciou suas atividades em 2004 até hoje observamos de perto o crescimento de diversos mercados envolvidos diretamente com o poder das redes sociais. Podemos falar com propriedade sobre a Monitoração e Análise da Mídia gerada pelo consumidor.
De forma geral, o cenário atual é: algumas poucas empresas se deram conta do novo poder do consumidor e da importância de se acompanhar de perto estas opiniões. Parece uma bobagem, mas observamos que na maioria das grandes corporações brasileiras o acesso a sites de redes sociais como o Orkut é bloqueado, não estando disponível nem para o pessoal de Comunicação e Marketing. Como as empresas esperam compreender o que se passa na mente do consumidor? Por outro lado, os Serviços de Atendimento ao consumidor de forma geral ainda são morosos e os sites das corporações não possuem espaços públicos para o encontro e discussão de consumidores. Resta aos consumidores buscar arenas públicas de discussão, como as comunidades on-line e os blogs.
Ao buscar estes espaços os consumidores se sentem livres para falar mas principalmente para trocar experiências com outros consumidores. A inteligência coletiva produzida por esta troca de informações pode ajudar as empresas a:
- Melhorar seus produtos
- Atender melhor o consumidor
- Realizar estudos sobre a percepção do consumidor em relação a produtos e serviços.
- Identificar crises em processo embrionário
JumpExec: Você diria que o monitoramento total das opiniões sobre as marcas podem de certa forma, num futuro não muito distante, substituir a publicidade em termos de relevância?
Alessandro Lima: Não. Publicidade no sentido de Reputação conferida a uma marca, pessoa ou produto pode ser gerada por um blog ou afetada por este. Porém, um blog não pode sozinho substituir os demais investimentos em publicidade. A monitoração das opiniões é apenas consequência da Publicidade, seja positiva ou negativa.
Em relação à Propaganda a monitoração da blogosfera hoje permite verificar se um comercial, ou um banner gerou ou não discussões on-line e por conseguinte interesse do consumidor. O consumidor precisa de uma razão para falar e a Propaganda ou a Publicidade é que dão esta razão.
O que observaremos com cada vez mais frequência são empresas que irão utilizar a linguagem da blogosfera para se comunicar com os jovens, seja através da Propaganda (comerciais que parecem amadores) seja através da Publicidade gerada por ações de relações públicas em blogs, por exemplo.
JumpExec: Sabe-se que o consumidor padrão da internet está entre a geração mais jovem. Você acredita que os hábitos desta fatia da população - participação, colaboração - podem se transferir facilmente para outras gerações?
Alessando Lima: Os hábitos têm menos chances de transferência, porém as opiniões não. As opiniões dos jovens acabam tendo alto poder de influência sobre toda a população. Não podemos esquecer que a moda, alguns hábitos de consumo e o uso massivo da tecnologia partem dos jovens e influenciam o resto da população. 74% da blogosfera tem menos de 25 anos hoje, segundo um estudo realizado pela E.LIFE e disponível em www.elife.com.br/paper.
Estes jovens podem não estar plenamente desenvolvidos como consumidores de alto poder aquisitivo, mas eles têm o poder de influenciar muita gente. Antes este poder estava restrito À sua própria casa, bairro e escola. Hoje, com blogs e redes sociais os jovens amplificaram seu poder de influência. E a influência pode ser local ou global.
JumpExec: Você acredita que este tipo de monitoração poderá substituir as pesquisas qualitativas e serviços de atendimento ao cliente?
Alessandro Lima: Nos EUA se discute que a monitoração e análise do boca-a-boca poderá substituir a pesquisa qualitativa focus groups. Dizem alguns defensores da monitoração do boca-a-boca que as opiniões recolhidas on-line são mais espontênas. Porém, não podemos comparar uma coisa com a outra. A pesquisa tradicional traz dados sócio-demográficos sobre o Universo monitorado. A análise da mídia gerada pelo consumidor não permite a extração de dados sócio-demograficos para todo o universo do perfil do consumidor, pois o consumidor não disponibiliza geralmente estes dados. Mas o levantamento da midia gerada pelo consumidor pode ajudar os pesquisadores e analistas de mercado a levantar hipóteses e elencar temas para uma pesquisa tradicional.
Além disso, em casos que envolvam crises e ações rápidas a monitoração do boca-a-boca on-line é mais indicada.
Fonte: JumpExec
As redes sociais são as grandes vedetes da comunicação colaborativa. Com cada vez mais usuários, estas redes, independente de seus tamanhos ou alcance, apresentam um processo "non-stop" de troca de idéias e informações, com influência direta na percepção geral a respeito de produtos e serviços.
Contudo, na opinião de Alessandro Lima, diretor da empresa de monitoração de redes sociais E.Life, as empresas ainda estão longe de entender totalmente o que fazer com estas informações. JumpExec entrevista o especialista, que ainda discorre sobre como a publicidade poderá ser afetada com a proliferação destas formas de comunicação.
JumpExec: Na sua opinião, as corporações já estão mais conscientes a respeito do poder das redes sociais na percepção do consumidor em relação às marcas?
Alessandro Lima: Desde que a E.Life iniciou suas atividades em 2004 até hoje observamos de perto o crescimento de diversos mercados envolvidos diretamente com o poder das redes sociais. Podemos falar com propriedade sobre a Monitoração e Análise da Mídia gerada pelo consumidor.
De forma geral, o cenário atual é: algumas poucas empresas se deram conta do novo poder do consumidor e da importância de se acompanhar de perto estas opiniões. Parece uma bobagem, mas observamos que na maioria das grandes corporações brasileiras o acesso a sites de redes sociais como o Orkut é bloqueado, não estando disponível nem para o pessoal de Comunicação e Marketing. Como as empresas esperam compreender o que se passa na mente do consumidor? Por outro lado, os Serviços de Atendimento ao consumidor de forma geral ainda são morosos e os sites das corporações não possuem espaços públicos para o encontro e discussão de consumidores. Resta aos consumidores buscar arenas públicas de discussão, como as comunidades on-line e os blogs.
Ao buscar estes espaços os consumidores se sentem livres para falar mas principalmente para trocar experiências com outros consumidores. A inteligência coletiva produzida por esta troca de informações pode ajudar as empresas a:
- Melhorar seus produtos
- Atender melhor o consumidor
- Realizar estudos sobre a percepção do consumidor em relação a produtos e serviços.
- Identificar crises em processo embrionário
JumpExec: Você diria que o monitoramento total das opiniões sobre as marcas podem de certa forma, num futuro não muito distante, substituir a publicidade em termos de relevância?
Alessandro Lima: Não. Publicidade no sentido de Reputação conferida a uma marca, pessoa ou produto pode ser gerada por um blog ou afetada por este. Porém, um blog não pode sozinho substituir os demais investimentos em publicidade. A monitoração das opiniões é apenas consequência da Publicidade, seja positiva ou negativa.
Em relação à Propaganda a monitoração da blogosfera hoje permite verificar se um comercial, ou um banner gerou ou não discussões on-line e por conseguinte interesse do consumidor. O consumidor precisa de uma razão para falar e a Propaganda ou a Publicidade é que dão esta razão.
O que observaremos com cada vez mais frequência são empresas que irão utilizar a linguagem da blogosfera para se comunicar com os jovens, seja através da Propaganda (comerciais que parecem amadores) seja através da Publicidade gerada por ações de relações públicas em blogs, por exemplo.
JumpExec: Sabe-se que o consumidor padrão da internet está entre a geração mais jovem. Você acredita que os hábitos desta fatia da população - participação, colaboração - podem se transferir facilmente para outras gerações?
Alessando Lima: Os hábitos têm menos chances de transferência, porém as opiniões não. As opiniões dos jovens acabam tendo alto poder de influência sobre toda a população. Não podemos esquecer que a moda, alguns hábitos de consumo e o uso massivo da tecnologia partem dos jovens e influenciam o resto da população. 74% da blogosfera tem menos de 25 anos hoje, segundo um estudo realizado pela E.LIFE e disponível em www.elife.com.br/paper.
Estes jovens podem não estar plenamente desenvolvidos como consumidores de alto poder aquisitivo, mas eles têm o poder de influenciar muita gente. Antes este poder estava restrito À sua própria casa, bairro e escola. Hoje, com blogs e redes sociais os jovens amplificaram seu poder de influência. E a influência pode ser local ou global.
JumpExec: Você acredita que este tipo de monitoração poderá substituir as pesquisas qualitativas e serviços de atendimento ao cliente?
Alessandro Lima: Nos EUA se discute que a monitoração e análise do boca-a-boca poderá substituir a pesquisa qualitativa focus groups. Dizem alguns defensores da monitoração do boca-a-boca que as opiniões recolhidas on-line são mais espontênas. Porém, não podemos comparar uma coisa com a outra. A pesquisa tradicional traz dados sócio-demográficos sobre o Universo monitorado. A análise da mídia gerada pelo consumidor não permite a extração de dados sócio-demograficos para todo o universo do perfil do consumidor, pois o consumidor não disponibiliza geralmente estes dados. Mas o levantamento da midia gerada pelo consumidor pode ajudar os pesquisadores e analistas de mercado a levantar hipóteses e elencar temas para uma pesquisa tradicional.
Além disso, em casos que envolvam crises e ações rápidas a monitoração do boca-a-boca on-line é mais indicada.
Fonte: JumpExec
30 de ago. de 2007
A mesada em novos tempos
O site www.mesada.com.br usa a linguagem da garotada e suas páginas têm cara de entretenimento. Foi o jeito criativo que o especialista em finanças pessoais, Ricardo Humberto Rocha, 45 anos, achou para levar aos adolescentes um assunto sério: educação financeira. No novo portaldoinvestidor.gov.br, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), há histórias em quadrinhos e vídeos interativos que visam ensinar e formar pequenos investidores, desde a mesada.
Na escola Upgrade - Centro de Treinamento, em São Paulo, o sócio-consultor Marcos Farias, 42 anos,começa a notar a presença de gente mais jovem nas turmas interessadas em cursos sobre como investir na Bolsa de Valores. Recentemente, os telejornais mostraram uma turma de estudantes do ensino fundamental em visita à Bolsa, em São Paulo, para aprender como ela funciona.
Esses exemplos seriam sinal de que no Brasil existe uma preocupação maior hoje em dia com a chamada educação financeira? Não, eles ainda são iniciativas isoladas e é preciso muito mais para formar uma geração preparada para lidar com o próprio salário. Essa é a opinião dos especialistas Ricardo Humberto Rocha, também professor do Laboratório de Finanças da FIA/FEA - USP e do Ibmec São Paulo, e de Marcos Farias.
“É uma pena o brasileiro não estar preparado para ter uma participação mais intensa no mercado que está fazendo a transição para a estabilidade”, diz Farias. “Estamos longe de ter uma geração de planejadores, como acontece nos Estados Unidos, onde desde cedo eles têm orgulho de sua moeda. Mas a estabilidade econômica já começa a trazer mudanças. Hoje, se a pessoa vê uma moeda jogada na rua ela já agacha para pegar”, brinca Rocha.
Exemplo de casa
O www.mesada.com.br faz parte do projeto Esticando a Mesada – nome de um livro de autoria de Rocha – que orienta o público na faixa dos 11 aos 18 anos sobre como, quando e por que gastar (e ganhar) dinheiro. Para os pais da geração criada sem ouvir falar em educação financeira, em épocas de inflação mil e planejamento zero, pode parecer uma didática precoce. Ou até mesmo um luxo ao qual só os grandes herdeiros têm direito.
Rocha garante que não é. Segundo ele, ensinar a uma criança o valor do dinheiro é tão importante quanto falar de boas maneiras, respeito, defesa ecológica. Farias assegura que só uma pequena parte dos pais que dão mesada sabem orientar os filhos sobre os gastos. “O consumo desmedido começa com a falta de limites dentro de casa. Os pais estão ocupados com o trabalho, muitas vezes preocupados demais com as dívidas a saldar.”
Salários pendurados
É exatamente na situação financeira caótica de muitos funcionários dentro das empresas, hoje, que Rocha enxerga o reflexo da falta de instrução do passado. Em São Paulo, o comprometimento da renda do consumidor com dívidas vem piorando em níveis gerais, segundo a recente Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Fecomércio-SP. Passou de 31% em abril para 35% em maio puxados pela facilidade dos financiamentos maiores. “Há empregados endividados em todos os níveis”, continua Rocha.
Consumo X empresas
Consumir é bom, todo mundo quer, merece, e precisa. Se o prazo é maior e o juro menor, por que não aproveitar? Sem contar que hoje as empresas facilitam empréstimos a seus empregados. Rocha não é contra um funcionário pegar empréstimo, mas entende que a eficácia desse procedimento só existe se for para pagar uma dívida com juros maiores (os empréstimos consignados têm os menores juros do mercado), como os dos cartões de crédito e cheques especiais, se for para comprar um computador a juros baixos ou outro bem que traga possibilidades de um retorno. “As empresas se endividam para captar recursos que terão uma destinação com taxa de retorno bem maior. Os funcionários têm de ter o mesmo pensamento. Se ele não vai gerar recursos suficientes para pagar uma dívida, ele tem de evitá-la.”
Rocha conta que já viu chefias demitirem um funcionário contra a vontade simplesmente porque era a única forma de ajudá-lo a saldar suas dívidas pessoais. “E não era situação de doença ou outra emergência. Era descontrole com gastos da mulher em cartões de crédito.”
Nessa ciranda, venha o rombo de onde vier, o certo é que, além das estatísticas, ele vai afetar outros setores da vida. Pais-funcionários quando perdem o controle sobre o orçamento doméstico, muitas vezes perdem também sobre o trabalho e rendem menos do que seriam capazes por estarem angustiados. “Por isso, muitas empresas dão adiantamento de salário’’, diz Farias. “Para minimizar a queda de produtividade.”
Conter gastos, segundo Rocha, é uma saída inteligente, que reverte em melhor qualidade de vida. O especialista em finanças pessoais diz que o Brasil foi do país da inflação para o do consumo, pulando a fase da poupança. “O brasileiro tem uma euforia em gastar. Ele não faz cotação, não mede a relação custo-benefício. Agora que o dólar baixou, a tendência é muita gente se endividar, porque vai querer aproveitar para viajar para o exterior. Quem tem um di-nheiro guardado, tudo bem, mas fazer dívida para isso não é uma boa.”
Quem assume
Pais que não ensinam porque não aprenderam, empresas que, segundo Rocha, com raras exceções ainda não se prepararam para instruir os funcionários e escolas que, segundo Farias, não desejam assumir mais esse compromisso. Mais iniciativas por parte de todos, pede Rocha, que se sente solitário na empreitada de ensinar os adolescentes. “Os pais têm de iniciar esse processo, porque seus filhos vão ter mais possibilidades de viver melhor”, sugere Farias. “Claro que isso tem de ser feito aos poucos, respeitando o ritmo e a capacidade da criança.
Não dá para exigir que um menino de 10 anos faça uma planilha de gastos”, continua. “A mesada tem de ser educativa sem se tornar mais uma sobrecarga.” E Rocha lembra que, além da formação cultural, existe um debate ideológico atrasado emperrando os processos de educação financeira. “As pessoas acham que o raciocínio econômico ainda é uma ferramenta de domínio de classes e deixam de usá-lo como estratégia para visualizar um futuro mais feliz.” A boa notícia é que não custa nada refletir sobre o que dizem os dois representantes da nova geração de economistas.
Menino investidor
Gabriel Decarli Souza e Silva acabou de fazer 16 anos e já está no segundo computador comprado com seus os recursos da mesada de 100 reais e do dinheiro que ganha dos parentes em aniversários e Natal. “Levei um ano e meio para juntar 1.600 reais”, ele conta. Filho único de uma dentista e um advogado, Gabriel estuda no primeiro ano do ensino médio. A seguir, conta como aprendeu a poupar.
CanalRh: Como você comprou o computador dos seus sonhos?
Gabriel Decarli: Ah, eu juntei a mesada de R$100 que meus pais me dão, pedi para tios e avó me darem dinheiro em vez de presente no meu aniversário e no Natal, fui juntando tudo dentro de uma lata até ter R$1.600. Dei o computador velho mais essa grana em troca do novo.
CanalRh: Então foi o gosto por computador que fez você começar a guardar dinheiro?
Gabriel: Esse foi o maior, né? Mas com 10 anos eu juntava para comprar jogos de Nintendo. Eu sempre queria um novo e meus não compravam. Daí eu juntava e comprava.
CanalRh: Deu para guardar dinheiro para alguma coisa mais?
Gabriel: Então, eu também juntei R$ 600 e comprei um Ipod, que custou R$400.
CanalRh: E os R$ 200 que sobraram?
Gabriel: Fiz uma reserva para ir completando a mesada. Por exemplo, se quero sair com os amigos, viajar, e a mesada está acabando, posso tirar um pouco desta grana, porque meus pais não vão me dar mais.
CanalRh: Você, então, não deixa de sair, curtir?
Gabriel: Só quando eu estou precisando juntar dinheiro.
CanalRh: E tem caderneta de poupança?
Gabriel: Em banco, não. Só tenho essa lata e agora comecei a anotar numa caderneta tudo o que eu ganho e tudo que eu gasto.
CanalRh: Seus amigos também juntam dinheiro?
Gabriel: Eles começam a juntar para comprar um computador. Mas no meio do caminho, vêem outra coisa que gostam e não agüentam, compram e gastam, não vão até o fim.
CanalRh: Seus pais ou a escola ensinaram você a ser assim?
Gabriel: Não, eu que decidi, porque queria ter as coisas.
CanalRh: Você lê jornal, entra em site para ler sobre economia?
Gabriel: Não, só uma vez que ganhei uns dólares e daí entrava todo dia pra ver a cotação. Quando compensava, eu trocava com meu pai.
Via e-mail
Na escola Upgrade - Centro de Treinamento, em São Paulo, o sócio-consultor Marcos Farias, 42 anos,começa a notar a presença de gente mais jovem nas turmas interessadas em cursos sobre como investir na Bolsa de Valores. Recentemente, os telejornais mostraram uma turma de estudantes do ensino fundamental em visita à Bolsa, em São Paulo, para aprender como ela funciona.
Esses exemplos seriam sinal de que no Brasil existe uma preocupação maior hoje em dia com a chamada educação financeira? Não, eles ainda são iniciativas isoladas e é preciso muito mais para formar uma geração preparada para lidar com o próprio salário. Essa é a opinião dos especialistas Ricardo Humberto Rocha, também professor do Laboratório de Finanças da FIA/FEA - USP e do Ibmec São Paulo, e de Marcos Farias.
“É uma pena o brasileiro não estar preparado para ter uma participação mais intensa no mercado que está fazendo a transição para a estabilidade”, diz Farias. “Estamos longe de ter uma geração de planejadores, como acontece nos Estados Unidos, onde desde cedo eles têm orgulho de sua moeda. Mas a estabilidade econômica já começa a trazer mudanças. Hoje, se a pessoa vê uma moeda jogada na rua ela já agacha para pegar”, brinca Rocha.
Exemplo de casa
O www.mesada.com.br faz parte do projeto Esticando a Mesada – nome de um livro de autoria de Rocha – que orienta o público na faixa dos 11 aos 18 anos sobre como, quando e por que gastar (e ganhar) dinheiro. Para os pais da geração criada sem ouvir falar em educação financeira, em épocas de inflação mil e planejamento zero, pode parecer uma didática precoce. Ou até mesmo um luxo ao qual só os grandes herdeiros têm direito.
Rocha garante que não é. Segundo ele, ensinar a uma criança o valor do dinheiro é tão importante quanto falar de boas maneiras, respeito, defesa ecológica. Farias assegura que só uma pequena parte dos pais que dão mesada sabem orientar os filhos sobre os gastos. “O consumo desmedido começa com a falta de limites dentro de casa. Os pais estão ocupados com o trabalho, muitas vezes preocupados demais com as dívidas a saldar.”
Salários pendurados
É exatamente na situação financeira caótica de muitos funcionários dentro das empresas, hoje, que Rocha enxerga o reflexo da falta de instrução do passado. Em São Paulo, o comprometimento da renda do consumidor com dívidas vem piorando em níveis gerais, segundo a recente Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Fecomércio-SP. Passou de 31% em abril para 35% em maio puxados pela facilidade dos financiamentos maiores. “Há empregados endividados em todos os níveis”, continua Rocha.
Consumo X empresas
Consumir é bom, todo mundo quer, merece, e precisa. Se o prazo é maior e o juro menor, por que não aproveitar? Sem contar que hoje as empresas facilitam empréstimos a seus empregados. Rocha não é contra um funcionário pegar empréstimo, mas entende que a eficácia desse procedimento só existe se for para pagar uma dívida com juros maiores (os empréstimos consignados têm os menores juros do mercado), como os dos cartões de crédito e cheques especiais, se for para comprar um computador a juros baixos ou outro bem que traga possibilidades de um retorno. “As empresas se endividam para captar recursos que terão uma destinação com taxa de retorno bem maior. Os funcionários têm de ter o mesmo pensamento. Se ele não vai gerar recursos suficientes para pagar uma dívida, ele tem de evitá-la.”
Rocha conta que já viu chefias demitirem um funcionário contra a vontade simplesmente porque era a única forma de ajudá-lo a saldar suas dívidas pessoais. “E não era situação de doença ou outra emergência. Era descontrole com gastos da mulher em cartões de crédito.”
Nessa ciranda, venha o rombo de onde vier, o certo é que, além das estatísticas, ele vai afetar outros setores da vida. Pais-funcionários quando perdem o controle sobre o orçamento doméstico, muitas vezes perdem também sobre o trabalho e rendem menos do que seriam capazes por estarem angustiados. “Por isso, muitas empresas dão adiantamento de salário’’, diz Farias. “Para minimizar a queda de produtividade.”
Conter gastos, segundo Rocha, é uma saída inteligente, que reverte em melhor qualidade de vida. O especialista em finanças pessoais diz que o Brasil foi do país da inflação para o do consumo, pulando a fase da poupança. “O brasileiro tem uma euforia em gastar. Ele não faz cotação, não mede a relação custo-benefício. Agora que o dólar baixou, a tendência é muita gente se endividar, porque vai querer aproveitar para viajar para o exterior. Quem tem um di-nheiro guardado, tudo bem, mas fazer dívida para isso não é uma boa.”
Quem assume
Pais que não ensinam porque não aprenderam, empresas que, segundo Rocha, com raras exceções ainda não se prepararam para instruir os funcionários e escolas que, segundo Farias, não desejam assumir mais esse compromisso. Mais iniciativas por parte de todos, pede Rocha, que se sente solitário na empreitada de ensinar os adolescentes. “Os pais têm de iniciar esse processo, porque seus filhos vão ter mais possibilidades de viver melhor”, sugere Farias. “Claro que isso tem de ser feito aos poucos, respeitando o ritmo e a capacidade da criança.
Não dá para exigir que um menino de 10 anos faça uma planilha de gastos”, continua. “A mesada tem de ser educativa sem se tornar mais uma sobrecarga.” E Rocha lembra que, além da formação cultural, existe um debate ideológico atrasado emperrando os processos de educação financeira. “As pessoas acham que o raciocínio econômico ainda é uma ferramenta de domínio de classes e deixam de usá-lo como estratégia para visualizar um futuro mais feliz.” A boa notícia é que não custa nada refletir sobre o que dizem os dois representantes da nova geração de economistas.
Menino investidor
Gabriel Decarli Souza e Silva acabou de fazer 16 anos e já está no segundo computador comprado com seus os recursos da mesada de 100 reais e do dinheiro que ganha dos parentes em aniversários e Natal. “Levei um ano e meio para juntar 1.600 reais”, ele conta. Filho único de uma dentista e um advogado, Gabriel estuda no primeiro ano do ensino médio. A seguir, conta como aprendeu a poupar.
CanalRh: Como você comprou o computador dos seus sonhos?
Gabriel Decarli: Ah, eu juntei a mesada de R$100 que meus pais me dão, pedi para tios e avó me darem dinheiro em vez de presente no meu aniversário e no Natal, fui juntando tudo dentro de uma lata até ter R$1.600. Dei o computador velho mais essa grana em troca do novo.
CanalRh: Então foi o gosto por computador que fez você começar a guardar dinheiro?
Gabriel: Esse foi o maior, né? Mas com 10 anos eu juntava para comprar jogos de Nintendo. Eu sempre queria um novo e meus não compravam. Daí eu juntava e comprava.
CanalRh: Deu para guardar dinheiro para alguma coisa mais?
Gabriel: Então, eu também juntei R$ 600 e comprei um Ipod, que custou R$400.
CanalRh: E os R$ 200 que sobraram?
Gabriel: Fiz uma reserva para ir completando a mesada. Por exemplo, se quero sair com os amigos, viajar, e a mesada está acabando, posso tirar um pouco desta grana, porque meus pais não vão me dar mais.
CanalRh: Você, então, não deixa de sair, curtir?
Gabriel: Só quando eu estou precisando juntar dinheiro.
CanalRh: E tem caderneta de poupança?
Gabriel: Em banco, não. Só tenho essa lata e agora comecei a anotar numa caderneta tudo o que eu ganho e tudo que eu gasto.
CanalRh: Seus amigos também juntam dinheiro?
Gabriel: Eles começam a juntar para comprar um computador. Mas no meio do caminho, vêem outra coisa que gostam e não agüentam, compram e gastam, não vão até o fim.
CanalRh: Seus pais ou a escola ensinaram você a ser assim?
Gabriel: Não, eu que decidi, porque queria ter as coisas.
CanalRh: Você lê jornal, entra em site para ler sobre economia?
Gabriel: Não, só uma vez que ganhei uns dólares e daí entrava todo dia pra ver a cotação. Quando compensava, eu trocava com meu pai.
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