6 de mar. de 2007

O que o futuro prepara para os profissionais de agências tradicionais?

O cenário de mídia mudou. Os hábitos no consumo de mídia mudaram. A fragmentação está aí, na cara de todos assim como o uso simultâneo dos. A web é o 2º maior consolidador de audiência e a convergência de meios bate à porta. Os investimentos em on-advertising aumentam a cada dia, vivemos a web 2.0 e já se fala, pensa e projeta a web 3.0 e acreditem a web 4.0. Tudo muito rápido e diga-se: viagem sem volta.

Isso nos aponta algo que não deveria ser novidade: o poder está nas mãos do consumidor.

A novidade é que agora, com N ferramentas de interação e colaboração (a essência da Web 2.0) a voz do consumidor ecoa mais longe do que apenas nos call centers. Começa pelas nano-audiências que todos temos e pode tomar grandes proporções. Esse “empowerment” se bem usado, pode ajudar muito na orientação para desenvolvimento de produtos, políticas corporativas e comerciais, relacionamento e ciclo de vida de um produto de maneira granular.

É meu amigo, o passageiro virou motorista e se você profissional de comunicação não souber disso, pode correr o risco de deixar a marca de seus clientes seguir por caminhos indesejados além de ter que evitar certas rodas de bate papo sobre o assunto. Oque funcionava ontem, trará pouco resultado hoje e ficar na inércia representará sabe-se lá quantas vezes mais esforço para recuperar o tempo perdido. E se o profissional de comunicação duvidar disso, seu futuro viverá fortes emoções em breve (de novo: essa história de comunicação digital é viagem sem volta).

Algumas premissas para ser um bom profissional de comunicação continuam as mesmas: se manter sempre atualizado, ter a mente aberta para quebra de paradigmas e entender um pouco sobre tudo, muito sobre o negócio do cliente e muito sobre o consumidor.

Para os que não são da geração digital e tiveram que aprender a usar e conviver com os meios digitais, saber o que está acontecendo a sua volta é sobrevivência.

Após o estouro da bolha, ficaram os especialistas desenvolvedores, consultores e agências ligadas ou não a algum grupo da chamada comunicação off-line. Desenvolveram-se e formaram grande parte dos “profissionais on-line” que hoje estão no mercado. Continuarão a fazê-lo ainda por um tempo, visto que as agências tradicionais como JWT, Lew´Lara, DM9 e Africa recentemente acordaram para a realidade web e passaram a tratá-la como parte fundamental das estratégias de comunicação e relacionamento de seus clientes. Porém o número de profissionais on-line disponíveis no mercado é menor do que se precisa nas agências tradicionais e nos próprios clientes. Logo, esse cara de agência, dito “old school” precisa se mexer. Isso é fato e igualmente se trata de uma oportunidade e ameaça.

Para quem se fez no mundo offline e migrou para o online no momento em que ele estava emergindo, melhor. Esse é um cara difícil de encontrar, pois tem a base off, agregou o on e pôde se moldar num profissional mais completo, 360º.

E os que nasceram no on? Hoje tem vantagem competitiva quando o assunto é o on, mas perdem na visão holística de comunicação. OK, tudo mudou mas Kotler ainda tem das suas.

E os que nasceram no off e não agregaram o on? Hoje conseguem sobreviver dependendo do caso com um devido suporte de alguma estrutura específica mas precisam de disciplina e vontade de crescer em seu vácuo digital. É difícil? Sim, mas nada melhor do que ser prático para começar nesse cenário web 2.0. Primeira coisa: use tudo oque a web 2.0 pode trazer como consumidor e como pessoa (auto-expressão – “tenho um blog, logo existo”).

Exemplo: minha mama, 62 anos e avessa a tecnologia. Não queria um PC e web de forma alguma. Depois de instalar um PC (na calada da noite) e abrir uma conta no FlickR com acesso direto a pastas com imagens cronológicas do desenvolvimento dos netos & conta para impresão online das imagens selecionadas, não quer outra coisa. Agora pede: web cam, skype, celular com câmera e instruções para abrir seu próprio blog, a fim de contar as delícias de ser avó nesses tempos modernos e de contagiar sua nano-audiência com a seguinte frase: O MELHOR DA VIDA É APRENDER BEM MAIS DO QUE JÁ SE SABE.

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